segunda-feira, 31 de agosto de 2009

De quanto os Beatles podem tornar-se nostálgicos e da covardia que me toma e não faz eu tomar uma atitude. Não me faz levantar da cama, desligar essa música e acender as luzes. Eu fico assim, jogada.
De quando eu tento mudar e relembro que Ramones também tinha dessas melancolias e, assim, não consigo fugir. Tentando evitar e torcendo para que ninguém no ônibus tenha o dom de ler pensamentos. Imagina só, contágio por pensamentos negativos.
Podem ser os hormônios, podem ser as situações. Pode ser essa sua mania de querer fazer tudo tão certinho e, assim, não conseguir perdoar as cenas transviadas alheias.
Pediu minha mudança, mas não fez o mesmo por mim. Paciência.


Joey? você está muito pior que o Lennon!



"Got my socks baby said are new
The things she said, well, maybe they're true
But it's not gonna happen
I won't let it happen
Not again"

sábado, 29 de agosto de 2009

É muito fácil fazer um drama e tentar conquistar por dó. Mas, não se esqueça, que você preferiu perder à mudar de idéia e me prender pra sempre.





Por que agora fingir que se esforça?

sábado, 22 de agosto de 2009

Inacreditável


Depois de desistir de outros três, aquele primeiro dia de curso não era novidade. Sentada em uma das arranhadas carteiras eu ia analisando uma por uma as companhias que poderiam durar por quatro anos ou quatro semanas, como nos dois anos anteriores.
A análise partia de uma queda pelo ser humano. Gostava de tentar adivinhar a voz, o cheiro, pensamentos e, é claro, a pegada de cada pessoa que se aproximava sem antes estabelecer contato.
Em meio à distração da qual me ocupava ela entrou. Senti-me incomodada, desviei o olhar, mas como essas coisas não se explicam ela escolheu justamente o lugar ao lado e atirando um cumprimento entre os lábios pintados de café. Conhecemos-nos e em poucos dias sentíamos-nos embriagadas pelos gostos uma da outra. Mais que as conversas o que me afetava eram os sorrisos, o tom prateado dos cabelos e aquela voz, diferente de todas as que ouvi de tantas mulheres e homens com quem eu estive. Eu não era impressionável, mas, antes de perceber os alarmes, estava beijando aqueles lábios marrons.
Passei todo um final de semana relembrando os últimos acontecimentos e esperando pelo próximo encontro, queria dizer-lhe que estava louca, apaixonada, arregaçada de tanto querer e não via a hora de estarmos juntas e, quando cheguei, a vi despedir-se de um cara, abraçar o cara e... beijar o cara.
O que para mim era a personificação de um amor à primeira vista para ela parecia apenas mais um rolo. Doeu e não consegui voltar. Meses se passaram e continuou doendo. Parei de sair, larguei os estudos, ignorei os amigos e deixei minha admiração pelo outro.
Certo dia, sentada na padaria, ouvi alguém me chamar. A mesma voz, diferente de tudo que havia escutado, e o mesmo batom café. Segurei para não cair, chorar e implorar nada ali, mas não resisti em levantar e beijá-la. Fomos ao banheiro, ali mesmo, eu já estava esperando há muito tempo. Meu coração batia mais que no dia em que enterrei o cachorro da família e arrancando suas roupas com os dentes, sim, com os dentes, de repente senti algo que não condizia com o que eu via, olhando fixamente para seus peitos como estava. Não consegui acreditar.
- Um pênis? Porra, um travesti?
Virei as costas extremamente decepcionada e pensando em dizer que estraguei anos de minha vida, que eu quis morrer, que tive meu maior amor, por uma mulher que não me agradava, que não fazia o meu gênero!

quarta-feira, 12 de agosto de 2009


É Elis, você tinha razão, eu tenho sim medo da vida, mas ao contrário da sua premonição o meu não é dos seres da noite. Eu tenho medo daquilo que não consigo tocar. Das coisas que almejo e nunca alcanço, nunca descubro.
Eu paro para filosofar a sua condição. Se você sentia toda essa dor que transparece nos teus berros. Sabe como é, não condiz com seu sorriso. E dentro da tal reflexão concluí algo que me preocupou, não difere muito do que andei fazendo nas duas últimas duas décadas.
Aquela lenda urbana de que a vida é um palco e somos apenas personagens era verdade então? Minha teoria, não comprovada, diz que apenas enquanto artistas estamos sendo nós mesmos e todo o resto não passa de simples encenação. Isso explicaria nossa idolatria por aquilo que conhecemos como representação. Quando podemos fingir uma situação na qual, bem no fundo, sabemos que nos encaixamos perfeitamente. Sei que há um filósofo (dos que têm etiqueta de garantia) que embasa de certa forma minha teoria, pois formulei o pensamento baseado em algo parecido que ouvi. O problema está em, lógicamente, eu não fazer mais a mínima idéia de onde, quando ou como eu li isso, muito menos saber o nome do tal rapaz.

Desculpe incomodá-la com tais perturbações, mas algumas das lembranças aparecem por baixo da sua voz e meu cérebro não sabe desligar os pontos depois de conectados. O problema, Elis, é que o teu sinal fechou em algum momento e você pôde ao menos dizer que precisava beber alguma coisa rapidamente. O meu nunca fecha. Sempre passa raspando e nada, além de um sinal com inclinação de cabeça, é comunicado.
Ai Elis, eu, que já era um tanto temerosa com essa tal de vivência, hoje em dia ando é apavorada mesmo. Nem na teoria que criei pra me fazer feliz eu posso me infiltrar.

Acabaram-me as inspirações, essas danadinhas.



"Não ande nos bares, esqueça os amigos
Não pare nas praças, não corra perigo
Não fale do medo que temos da vida
Não ponha o dedo na nossa ferida"

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

"Senti saudade, vontade de voltar
Fazer a coisa certa
Aqui é o meu lugar
Mas sabe como é difícil encontrar
A palavra certa,
A hora certa de voltar,
A porta aberta,
A hora certa de chegar..."

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

dispersão


Sabe essa menina? Que você vê todo dia pagando a passagem do ônibus, na fila do mercado ou no caixa do banco? Essa que você acha meio diferente, até curiosa. Essa que usa camisa xadrez, calça jeans desbotada e all star? É, ela não é pra você.
Sabe por que? Lembra quando você era criança? E tinha tantas amiguinhas? Você era o menino mais bonitinho da sala de aula e todas elas viviam ao seu redor. Bom, ela estava lá, mas como você tinha todas não prestou tanta atenção assim.
A mesma história se repetiu com ela durante toda a infância e parte da adolescência e um dia... ela cansou.
Se olhou no espelho e soube que não precisava passar a vida toda fazendo o que todas fazem, procurando o príncipe encantado, fazendo mechas no cabelo. Ela deixou de se importar.
Essa garota começou a prestar atenção nos caras que cruzavam com ela nas ruas e que estavam tão perdidos quanto. Essa garota começou a te ignorar.
No começo não foi fácil e como não foi. Não achava um equilíbrio. Ia ao extremo, voltava e não sabia mais quem era... até que depois de fracassos e tentativas ela conseguiu. Era ali que deveria parar. Ela virou essa garota estranha, esquisita, diferente, mas de quem você não consegue desgrudar os olhos quando vê.
O único problema é que agora... ela não corresponde mais aos olhares. Ela sabe que você nunca vai compreender as músicas que tocam no player dela. Por que? Você está acostumado a frequentar outros lugares, andar com outras pessoas e você faz o que seus amigos fazem. Você escuta o que eles escutam e nunca vai sentir o tesão de ter uma música preferida quase que exclusiva. Você nunca vai entender porque nunca vai sentar e parar pra escutar aquilo. Você tem medo das mudanças e ela não teve. Você não vai tocar ramones na sua festa porque seus amigos vão te olhar torto.
Por que ela não conversa com você? Porque ela sabe que enquanto ela lia, saia com pessoas interessantes e via filmes europeus... você frequentava a academia. Vocês podem até ter alguns assuntos em comum do tipo 'você viu o Jim Carrey neste último filme'? Mas o máximo que você vai conseguir dizer é um 'muito engraçado', e os olhos dela vão brilhar e ela vai dar toda sua opinião sobre o quanto o roteiro, a fotografia a arte final, enfim, é perfeita. Você não vai fazer nem idéia do que ela está falando. Ela estava estudando e você estava na academia.
O que acontece agora é que você percebeu que ela é diferente. Que ela é especial. Que ao contrário das outras meninas, estas que você colaborou para tornar inseguras, ela não se preocupa com o que você pensa. Ela não se preocupa em estar despenteada, com o tênis sujo ou dançando no ônibus. Você não muda mais o que ela é e agora está praticamente condenado a viver uma vida vazia ao lado de uma daquelas outras, lembra? Aquelas que viviam ao seu redor e resolveram apostar em você. As que não cansaram. Aquelas que agora vão arrumar um casamento no qual serão infelizes. Àquelas que vão passar a vida vendo novela e fingindo um orgasmo. Aquelas que entrarão em todo novo emprego com a preocupação de agradar a todo custo ao chefe e que nunca irão bater boca com ele. A culpa delas serem assim é sua, aguente.